Caros leitores, hoje decide escrever sobre um tema diferente do mundo futebolístico, sobre publicidade infantil e a censura que
cerca esse tema.
Há uma discussão pertinente que se arrasta a mais de dez anos no Congresso Nacional, o projeto de Lei 5.921/01, que proíbe a publicidade dirigida à criança e regulamenta a publicidade dirigida a adolescentes. Desde 2006, os anúncios de alimentos para crianças não podem encorajar o consumo excessivo de alimentos e bebidas, ou menosprezar a alimentação saudável ou apresentar produtos que substituam refeições. Por conta disso empresas como o Mc Donalds tiveram que adaptar seus cardápios para 600 calorias, de acordo com o recomendado pela organização mundial da saúde. O problema é o Mc lanche feliz vem acompanhado de um brinquedo, o que gerou um processo de R$ 3 milhões do PROCON SP alegando publicidade abusiva.
A responsabilidade que cabe a órgãos como Alana, Conar ou mesmo PROCON, é de defender, orientar consumidores e prezar por seus direitos e deveres. No caso cabe ao PROCON apenas julgar atos irregulares cometidos pelas empresas, de acordo com determinações estabelecidas por órgãos como Alana e Conar. O termo publicidade abusiva é o que vem condenando as propagandas infantis na TV ou mesmo o apelo emocional que o mc lanche feliz tem com a presença de um brinquedo. Um tanto quanto exagerado tais medidas, porque sendo assim deveríamos condenar também o kinder ovo, que incentiva a compra por conta das surpresas, ou os ovos de páscoa com lembranças dentro.
Essa ação julgada e condenada pela PROCON é incabível em um país que se diz democrático e com liberdade de expressão. Os brinquedos fazem parte de ações de marketing, elaboradas por profissionais de promoção de vendas que estudaram anos planejando tais ações para agora serem proibidas. Obesidade infantil, filhos mimados cheios de presentes não são culpa das propagandas, mas sim da fragilidade de seus pais, esses sim, impossibilitados de dizer não aos pedidos incessantes de seus filhos se rendem e compram bolachas, hambúrgueres entre outros condenados pela OMS.
O que não percebem, no entanto, é que impedindo essas propagandas não impedem a influência gerada ás crianças, influenciadas em grande parte pelo comportamento de seus pais. Dessa forma mesmo que um menino não se interesse por um mc lanche feliz por não possuir um brinquedo dentro, ao ver o seu pai consumindo um belo Bic Mac, a influência se mantém a mesma, provando que os atos paternos são tanto ou mais impactantes do que as chamadas propagandas abusivas. Se for para ser assim, que o Brasil se declare de vez uma ditadura e proíba toda e qualquer publicidade, pois aparentemente, o cidadão brasileiro é incapaz de discernir e tomar decisões por conta própria. Que o governo decida, portanto nossas refeições e hábitos, ou se cale de vez e deixe a liberdade de expressão solta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário